18 de abril de 2009

VASOS - Símbolos Cristãos


Meu trabalho me deixou alguns dias sem poder estar aqui no Blog, mas não esqueci de falar dos símbolos cristãos. Símbolos estes que nos ajudam a compreender a natureza das coisas de Deus. Ainda tenho o desejo no coração de falar sobre o tabernáculo e sobre as portas de Neemias aqui no blog, mas vou primeiro esgotar os símbolos cristãos.

Hoje quero falar sobre VASOS. Um vaso se pararmos para pensar tem várias finalidades, seja como recepiente para guardar algo de valor, seja para enfeite, seja para especiarias, etc.
Na bíblia lemos sobre vasos, e encontramos vários tipos de vasos. Sempre falando em vasos, remetemos ao ser humano. Vasos falam de nós. Somos vasos, vasos é na maioria das vezes símbolo de pessoas. Os vasos contém elementos que também são símbolos. No nosso último post falei sobre o azeite e no próximo vou falar dos outros elementos contidos nos vasos.

Somos vasos de honra..
Somos vasos de azeite...
Somos vasos de barro...
Vamos ver os tipos de vasos e no próximo post continuamos a estudar estes símbolos.

Os vasos estão por toda a bíblia:

Ex 16.33, um vaso de material indefinido, cheio de maná, simbolizando o memorial da saída do povo de Deus do cativeiro no Egito. O memorial da libertação está circundo em todo o antigo testamento. O maná, no entanto, simboliza a provisão de Deus. Levando em conta que o vaso deveria estar cheio desse maná, com uma medida exata (um gômer cheio, que é a décima parte de um efa, mais ou menos um quilo e meio de maná), devemos nos relembrar que Deus ordenou ao povo no deserto que fossem medidos, colhendo apenas o suficiente para a alimentação diária, salvo no sexto dia, quando deveriam colher a porção do dia do descanso (Ex 16.4-5). O vaso com maná representa a provisão da conquista diária vinda da parte de Deus, relembrada por Jesus na oração do Pai Nosso (o pão nosso de cada dia, nos dá hoje – Mt 6.11)

Sl 31.12, onde o salmista compara-se aos cacos de um vaso. Algo que já foi útil, mas perdeu toda sua serventia por conta das ameaças de seus positores. Aqui, o vaso trata-se do próprio salmista, que lamenta a desventura de sua depressão frente às chacotas dos inimigos. Sente-se inútil, embora saiba que, um dia, foi valoroso. O estado de espírito do salmista aqui equipara-se aos cacos citados, de forma que o mesmo expressa até seu desgosto pela vida (em tuas mãos entrego meu espírito – v. 5).

Pv 26.23, um vaso de barro coberto de escórias de prata. Coisas imprestáveis (escórias), porém desejáveis (são de prata). Um vaso recheado de pecado: imprestável e inadequado, mas tentador. Fala o versículo a respeito de sentimentos. Cita em seu final que o tal vaso de escórias de prata reflete 'lábios amorosos e coração maligno'. Uma vez que a bíblia mesmo diz que os lábios só proferem acerca do conteúdo do coração (Lc 6.45), é necessário que compreendamos de que 'amor' fala Salomão neste provérbio. Impossível que um coração maligno expresse amor verdadeiro. Cabe aqui, então, uma compreensão contextual de que quis expressar o autor dos Provérbios. Leiamos então os versículos seguintes, que prosseguem com a idéia de fala mansa expressando anseios de um coração falsário: cita o v. 24 que há dissimulação e aborrecimento nos lábios daquele que encobre engano (mentira) em seu coração; cita o v. 25 que não é digno de confiança aquele que fala suavemente (expressando falso amor), porque o coração deste está recheado de abominações (as mesmas escórias do v. 23). Por fim, o v. 26 revela tal mistério: o ódio é encoberto com engano (ódio disfarçado = falso amor). Logo, o amor do v. 23 é falso, ou ainda, é ódio disfarçado. Assim sendo, o tal vaso de escórias de prata expresso no versículo chave de nossa especulação simboliza um coração falsário, com aparentes 'boas intenções' (a prata), recheado porém de escórias (pecados de ódio, de engano, de falsas lisonjas), que são tentadoras por seu disfarce, porém, dispensáveis por seu verdadeiro efeito.

Jr 18.4, o vaso que se desmancha nas mãos do oleiro, na cena contemplada por Jeremias. O texto, em sua continuação, se explica: o vaso, aqui, simboliza a casa de Israel (v. 6), ou ainda, a nação israelita (vv. 7-10). Pessoalmente, aqui o vaso pode simbolizar o crente entregue nas mãos de Deus (o barro na roda do oleiro = a matéria prima na mão do criador), sendo moldado. Se for assim, simboliza mudança de caráter, novo nascimento (uma vez que uma nova forma é dada a tal obra), ou novas direções (antes, a obra do oleiro poderia ter um formato = uma função. Depois de haver se desmanchado – tratado -, poderá ganhar nova forma = nova atribuição).

Jr 19.11, o vaso despedaçado por Deus, de forma que não mais possa se refazer. Simboliza rejeição da parte de Deus, tendo em vista a insistência do povo pela idolatria. Deus cita que ao coração contrito haverá plena aceitação de Sua parte. Porém, podemos entender também que, em assunto de julgamento, Deus manifesta-se como o Justo Juiz (Jr 11.20), que a uns exalta e a outros abate (Sl 75.7). Por tal justiça, não incorreria Ele contra Sua Palavra, aceitando infiéis e rebeldes em Seu Reino. O vaso despedaçado, então, demonstra o salário do pecado, que é a morte (eterna) aos que mantiverem-se infiéis ou indiferentes ao Senhor. Uma vez, então, que o Deus em Cristo julga vivos e mortos (At 10.42), o vaso despedaçado por Deus simboliza a nação pecadora que desabona seus Profetas e incorre na vida errônea. Se a prosperidade do povo depende do ouvir aos profetas (2 Cr 20.20b), é certo que, em vida, tal povo já pagaria parte do preço da desobediência. E, por fim, em morte, enfrentaria então, o Juiz que, aqui, não demonstra-se piedoso como em todas as demais tentativas de resgatar sua criação do pecado.

Lc 7.37, o vaso de alabastro com ungüento (óleo perfumado). O alabastro é uma espécie de pedra clara, semelhante ao mármore, de pouquíssima resistência, usada para fazer vasos e esculturas, ou até mesmo o revestimento de colunas em palácios de honra (o caso do palácio de Assuero, em Ester 1.6). Logo, o alabastro era material nobre, de finíssimo uso. No versículo chave de nossa especulação, no entanto, o vaso propriamente dito compõe um conjunto de símbolos (vv. 36-39): uma mulher, ungüento, a mesa da casa de um fariseu, os pés de Jesus. A mulher simboliza o povo rejeitado pelo alto clero, aqui representado pelo fariseu. Este, por sua vez, oferece algo aparentemente caro e valioso a Jesus (um banquete, a mesa), mas ela, a rejeitada, oferece algo aparentemente pequeno e fútil, lágrimas e óleo, que simbolizam a adoração sincera de alguém que não tem mais nada a oferecer. O vaso de alabastro, no entanto, simboliza parte do empenho desta mulher em entregar a Jesus o que ela tinha de melhor. Poderia ter sido qualquer outro vaso, mas ela escolheu o melhor de sua casa, o de material utilizado, inclusive, em palácios reais. Simboliza, junto com alguns desses demais símbolos, oferecer o melhor em adoração a Jesus.


Rm 9.21-23, vasos de uma mesma matéria prima, imputados por Deus como 'para honra ou para desonra', ou vasos de ira destinados à perdição e vasos de misericórdia, destinados a conhecer a riqueza da glória de Deus. Notar que o texto fala de julgamento, ou seja, Deus preparou os vasos e suportou os que optaram pela ira e pela desonra. Expressa livre arbítrio (honra ou desonra, o 'sim' ou o 'não' às coisas de Deus), e possibilidade de salvação a qualquer pessoa (do mesmo barro, foram feitos os para honra e os para desonra), com a condicional de que cumpram com os preceitos que conotam 'honra'.

2 Co 4.7, o vaso de barro recheado de tesouros. Um versículo que explica-se, também. Paulo fala de forma metafórica, concluindo que somos vasos de barro, porém, com o potencial de armazenarmos o poder que há em Deus em nós. Vale lembrar que é de Paulo a compreensão de que o ser humano é templo do Espírito Santo, mesmo sendo pecador (Paulo aponta-se como o mais miserável dos pecadores, mas nunca descarta a constante companhia de Deus, bem como o revestimento dEle e Sua sempre presente misericórdia). O tesouro no vaso de barro expressa o próprio Deus habitando em nós.


Jo 19.29, um vaso cheio de vinagre. Deixamos este por último pela complexidade que os símbolos aqui presentes contém, e pela pesquisa histórico contextual que circunda esse tal vaso de vinagre. Para que tal interpretação não seja incompleta, falaremos de algo mais: o vaso, o vinagre e o porque de aquele vaso estar ali, no decorrer do momento da crucificação de Jesus. O vaso aqui, pode ser comparado a Jesus. Nas condições que o momento lhe impunha, Jesus sentia-se frágil, como um vaso.

Jesus, ali, estava amargurado (desde o Getsêmani Ele declarou isso – Mt 26.38); o amargor do vinagre estava sobre ele. A fragilidade do vaso e o amargor do vinagre podem simbolizar a presença real do próprio Jesus naquela cruz, em contraponto à declaração marciônica de que Jesus, na verdade, não estava na cruz, mas somente seu espírito ali permaneceu.

Além de Jesus declarar que sua alma estaria triste a ponto de morte (o mesmo Mt 26.38), a continuidade deste texto de Mateus fala de seu desgosto acerca do cálice que necessitava beber (Mt 26.42), elementos que simbolizam o estado emocional em que Jesus encontrava-se;

O vaso e o vinagre então podem simbolizar Jesus em corpo, seu sentimento naquele momento: um vaso frágil, o mesmo corpo que foi rasgado por um soldado e verteu água (Jo 19.34), e que foi pedido por José de Arimatéia e Nicodemos a Pilatos (Jo 19.38-42), pelos quais foi perfumado e sepultado.

Por fim, a pergunta: o que estaria fazendo um vaso de vinagre ali, naquele momento: Investiguemos o vinagre na Bíblia:

Nm 6.3: O vinagre (vinho em estado de maturação) é proibido ao nazireado; Não responde nossa questão.
Sl 69.21: Uma palavra profética acerca do acontecimento de Jesus na cruz? O fel e o vinagre como alimento / bebida dada em forma de deboche. Não responde nossa questão.
Pv 10.26: Uma explicação do efeito sequioso e incômodo que o vinagre provoca. Não responde nossa questão.
Rt 2.14: Aqui, dependendo da tradução, um problema que pode nos trazer a solução da questão: o vinagre encontrado nos textos mais antigos (RC e bíblia de Jerusalém, por exemplo) estão substituídos nos textos mais comuns (RA, NTLH, BV, NVI...) por vinho. Na Bíblia de Jerusalém, no entanto, uma nota de rodapé interessante à palavra vinagre pode nos solucionar a questão do vinagre presente ali naquele momento: diz esta nota que a bebida que Boaz ofereceu a Rute aqui era, possivelmente, uma mistura de água, vinagre de vinho (o mesmo vinho em maturação de Nm 6.3), somados a mais alguma bebida saborífera (um licor, por exemplo). O evangelho de Mateus, no capítulo 27 e no versículo 34 traz uma informação que pode ser esclarecedora: uma mistura de vinho e fel era levada pelos soldados. Poderia então essa mesma bebida ser a que embebeu a esponja de Jo 19, quando Jesus queixava-se de sede.

Um comentário:

  1. A Paz do Senhor irmão Alex!

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    Deus abençoe!

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